A SYNGENTA APOSTA NO MILHO DIFERENCIADO
Por Marcos Coronato
Milho sempre foi sinônimo de commodity, aquele
tipo de mercadoria barata e indiferenciada. A Syngenta, que
fatura 900 milhões de dólares com sementes no
mundo, pretende mudar essa história. "Queremos
que o comprador de milho seja mais exigente e atento às
variedades", diz Eduardo Botelho, coordenador do Programa
de Qualidade de Grãos da Syngenta. A lógica
é simples: a Syngenta convence a indústria de
alimentos (o elo do meio da cadeia) a exigir do agricultor
grãos com determinadas características.
O agricultor, então, se vê compelido a comprar
certas sementes -- e quem as vende é a Syngenta. No
futuro, a empresa espera influenciar a demanda desde a ponta
da cadeia. "Já acompanhamos testes de degustação
de cereais com donas-de-casa", diz Botelho.
Para o leigo, pode parecer exagerado demais monitorar a qualidade
do milho que vai alimentar frangos. Puro engano. A Avipal,
quinta maior produtora de carne no país, gostou da
história, e seus produtores de milho usam, desde 2002,
sementes Syngenta. A Avipal fatura 800 milhões de reais
por ano e estima que poderá economizar mais de 10 milhões
com ração graças ao uso do milho mais
adequado -- com grãos mais nutritivos, duros, densos
e uniformes. Essas qualidades reduzem o índice de contaminação
por fungos, um veneno para os frangos e para o negócio:
bastam 13 grãos contaminados para mandar para o lixo
uma saca de 60 quilos. O grão de alta qualidade também
ocupa menos espaço de frete e armazenagem e exige menos
suplementos alimentares, que encarecem a ração.
A Syngenta espera que a iniciativa eleve sua participação
de mercado, hoje de cerca de 20%, nos próximos cinco
anos. A aplicação de gestão da qualidade
na cadeia do milho é uma necessidade nacional. A produtividade
brasileira é de apenas 3 toneladas por hectare, contra
mais de 8 toneladas nos Estados Unidos. Produção
maior e mais controle abririam portas no mercado externo.
Um exemplo de como ultrapassar essas barreiras foi dado no
início do ano por fornecedores da Mococa -- um produtor
de milho de Jataí, em Goiás, e a esmagadora
Kowalski. Em parceria com a Syngenta, eles conseguiram que
sua farinha de milho fosse aprovada na Alemanha para uso em
papinha infantil. Esse mercado é tão restrito
que não há laboratórios no Brasil capazes
de fazer os testes exigidos. O modo de produção
usado naquele lote ainda não funciona em escala industrial
-- mas a aprovação mostrou que as barreiras
fitossanitárias não são intransponíveis.
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