HORIZONTES PARA O MILHO, por Nelson Kowalski.
Finda a colheita de grãos no Centro-Sul, os
agricultores estão, nesse momento, debruçados
sobre o planejamento da próxima safra de verão.
Em sua decisão de plantio, o produtor procura levar em
conta variáveis como a projeção de consumo
no cenário interno, perspectivas dos mercados internacionais
das commodities agrícolas, sinalização
do comportamento das taxas de juros e da política cambial.
Os produtores de grãos, entretanto, devem considerar
um fato novo nesse planejamento: o esforço das empresas
e entidades que integram a Associação Brasileira
das Indústrias Moageiras de Milho (Abimilho) para promover
o aumento do consumo humano do cereal.
Essa iniciativa foi deflagrada com o lançamento da campanha
"Milho é Melhor", que trata de sensibilizar
o consumidor para os atributos nutricionais do milho. Cerca
de R$ 2 milhões estão sendo investidos na iniciativa,
que contempla a veiculação de anúncios
em publicações dirigidas e especializadas, a realização
de atividades educativas com alunos do ensino fundamental e
a promoção de cursos de culinária. Com
isso, a Abimilho pretende aumentar o consumo humano do cereal
dos atuais 4,2 milhões de toneladas para cerca de 5 milhões
de toneladas, um incremento de 20%. É uma meta factível,
considerando-se a média brasileira de consumo per capita
em comparação à de outros países,
de condições sócio-econômicas similares.
É o caso do México, que tem média de consumo
de 63 quilos/habitante/ano, ou 3,5 vezes mais do que a média
brasileira, que gira em torno de 18 quilos/habitante/ano.
Há, portanto, muito espaço para crescer, principalmente
se levarmos em conta o desenvolvimento de novos produtos à
base de milho, práticos e ricos em nutrientes, vitaminas
e fibras, como cereais matinais, óleos, farinhas e processados.
Pois o decorrente aumento da demanda por novos e mais sofisticados
produtos derivados de milho descortina promissoras oportunidades
de negócio para o agricultor decidido a diversificar
sua receita e agregar valor à produção.
O incremento da demanda por derivados de milho vai deflagrar
correspondente impacto sobre os preços dos produtos focados
neste segmento: o de grãos duros ou semi-duros, de apurada
qualidade.
Os produtores de grãos orgânicos e aqueles cujo
sistema de produção contemplem práticas
ecológicas, como o controle biológico de pragas,
tratos especiais na colheita, secagem e transportes, podem se
beneficiar do pagamento de prêmios e da garantia de entrega
da produção. É de se esperar, de outra
parte, investimentos crescentes na pesquisa e desenvolvimento
de híbridos específicos para o consumo humano,
de maior teor protéico ou vitamínico, abrindo
o leque de oportunidades para o empresário rural. O milho,
afinal, é um cereal de elevado valor energético
- justamente a principal deficiência nutricional da população
brasileira de baixa renda.
Cada 100 gramas do milho em grão contêm 360 kcal,
quase 20% da necessidade calórica diária de um
adulto. O cereal ainda é rico em vitaminas, sais minerais
e a farinha tem valor protéico equivalente ao da farinha
de trigo. O fortalecimento desse segmento de mercado pode, paralelamente,
consolidar uma frente que vem sendo explorada de forma pontual:
o das exportações de produtos de milho para consumo
humano, que agregam maior valor que o milho commodity. Terceiro
maior produtor mundial do grão, o Brasil pode atender
com regularidade a mercados hoje operados de forma episódica
na Europa, América Latina e África.
O incremento do consumo humano de milho é uma iniciativa
que interessa a todos os elos da cadeia produtiva - um negócio
que movimenta US$ 10 bilhões anuais e é o esteio
de atividades da maior importância econômica para
o País, como a avicultura e a suinocultura. A incorporação
do milho à dieta do brasileiro vira uma nova e auspiciosa
página da história do País, concorrendo
para o combate ao flagelo da desnutrição, respaldado
o processo de interiorização da economia e abrindo
novas frentes de negócios para o empresário rural.
Nelson Kowaski
Presidente da Abimilho
Fonte: Estadão
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