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TRF VOLTA A LIBERAR PLANTIO DE SOJA TRANSGÊNICA NO PARANÁ

Por uma margem apertada de oito votos a sete, o Tribunal Regional Federal (TRF) da
4ª Região, em Porto Alegre, liberou o plantio de soja transgênica para os
agricultores que guardaram sementes da safra passada. A decisão foi de uma corte
especial de desembargadores que se reuniu na sexta-feira (17-12) pela última vez no
ano. O procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, disse que vai recorrer
junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). E avisou que a fiscalização do governo
vai ser reforçada para evitar o plantio de sementes contrabandeadas.

A decisão da corte de desembargadores do TRF reforma a sentença da desembargadora
Marga Inge Barth Tessler, que no exercício da presidência do órgão, decidiu
suspender a liminar concedida em primeira instância que liberava o plantio de soja
transgênica no Paraná. A liminar havia sido concedida pela juíza federal Gisele
Lemke, em uma ação ajuizada pela Federação da Agricultura no Estado do Paraná
(Faep), no dia 19 de novembro. Mas foi suspensa seis dias depois.

A liminar da juíza Gisele Lemke atendia o pleito da Faep e permitiu o plantio de
transgênicos mesmo para os agricultores que não assinaram o Termo de Compromisso,
Responsabilidade e Ajustamento de Conduta (Trac) na safra passada. A juíza
considerou que os agricultores paranaenses perderam a isonomia com os produtores de
outros estados.

O governo do Paraná recorreu ao TRF argumentando que a decisão colocava em risco a
saúde, o meio ambiente, a economia e a segurança pública no Estado. A desembargadora
Marga Tessler cassou a liminar, por entender, na época, que não podia deixar que uma
possível demora da Justiça, contribuísse para ajudar a consolidar uma situação de
fato consumado, de plantio indiscriminado da soja transgênica.

A Corte Especial do TRF entendeu que a proibição quebrava a isonomia entre os
agricultores paranaenses e autorizaram o plantio da soja modificada geneticamente,
desde que atendidos os requisitos legais exigidos na medida provisória (MP) do
governo federal.

A Câmara aprovou uma emenda na MP, que poderá ser convertida em lei até a próxima
semana, que estende o prazo para que os agricultores possam assinar a TRAC até 31 de
janeiro de 2005.A decisão da Câmara foi mais ampla que a decisão do TRF, mas mesmo
assim foi uma vitória, comemorou o assessor econômico da Faep, Carlos Augusto
Albuquerque. Segundo ele, os produtores que plantaram a soja transgênica não estão
mais na ilegalidade.

O procurador do Estado disse que o desembargador Nilson Paim salientou em seu
pronunciamento, que a decisão da corte não elimina a fiscalização do governo do
Estado. Com base nisso, Botto de Lacerda, disse que a fiscalização deverá agir para
coibir o plantio de sementes contrabandeadas de soja transgênica, pois poucos
realmente conseguiram guardar as sementes do plantio feito no ano passado.

Fonte: Folha de Londrina
 
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