| CÂMBIO DERRUBA A COTAÇÃO DO MILHO
Queda do dólar reduziu a paridade da importação e afetou preços do cereal
Renato Stancato
O efeito câmbio foi o responsável pela inesperada queda de preços do milho no segundo semestre deste
ano. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Milho(Abimilho), César Borges de Souza. Segundo o executivo, o milho tornou-se um produto de exportação e, este ano, esperava-se que houvesse importação por causa da quebra na safra."Falava-se de até 4 milhões de toneladas de importação no início do ano", disse. Segundo Borges, a queda do dólar acabou reduzindo a paridade da importação, o
que afetou os preços.
O presidente da Abimilho destaca, entretanto, que as importações deverão ser menores do que se
projetava. "A safra foi revista para cima e negligenciou-se a participação de outros produtos que competem com o milho no consumo da indústria, como sorgo, trigo e aveia." Por isso, ele acredita que a entrada da safra de inverno também contibui para pressionar as cotações.
Vice-presidente da Caramuru Alimento, César Borges preside a Abimilho, organização que congrega empresas que utilizam o cereal como matéria-prima para alimentação humana.Os principais produtos processados são canjicas, farinhas, flocos, óleo refinado e amido. As empresas movimentam R$ 3,3 bilhões/ano e processam cerca de 4,2 milhões de toneladas/ano do grão, o equivalente a cerca de 10%
do consumo total do País. Segundo Borges, o setor está tendo um ano pior do que se projetava: "Os
baixos preços do arroz, que é o concorrente direto de nossos produtos, reduziram nossas margens."
Fonte: Suplemento Agrícola/O Estado de S.Paulo |